O versículo 8 do Apocalipse é uma resposta de Deus aos perseguidores do povo eleito durante a grande tribulação das guerras judaico-romana.
Apocalipse 1:8
“.... diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.
O deus da mitologia grega Aion era cultuado no império romano na época de João autor do apocalipse.
Este Aion sincrético havia se tornado um símbolo que garantia a perpetuidade do Império Romano, o domínio romano, e imperadores como Antoninus Pius emitiram moedas com a legenda Aion.
Aion era geralmente identificado como o jovem nu ou semi nu dentro de um círculo representando o zodíaco, ou o tempo cíclico.
Porque ele representava o tempo como um ciclo, ele também podia ser imaginado como um homem velho. Ele também era frequentemente associado a cobras e serpentes pois Aion, para seus seguidores, “muda o fardo da velhice como uma cobra que solta as bobinas do escamas antigas e inúteis, rejuvenescendo enquanto lavam as ondas das leis do tempo”.
A imagem da serpente retorcida está conectada ao aro ou roda através do ouroboros, um anel formado por uma cobra segurando a ponta da cauda na boca (Aion através da serpente representa o "kosmos"). O comentarista latino do século 4 dC Servius observa que a imagem de uma cobra mordendo sua cauda representa a natureza cíclica do ano.
Aion foi identificado em certos períodos da história como sendo possivelmente Dionísio em escritores cristãos e neoplatônicos, ou ainda como Saeculum, ou Cronus, ou até mesmo Saturno, chama atenção aindauma citação de Pausânias, rei da cidade-Estado grega de Esparta de 409 a.C. até 395 a.C., pertenceu à Dinastia Ágida sobre Zeus:
“Zeus era, Zeus é e Zeus será. Por vezes também se entrelaçavam as histórias de Zeus com a de Aion.
Os primeiros pré-socráticos e os Pitagóricos, no entanto, chamavam Aion de filho de Zeus; anos mais tarde arqueólogos encontraram inscrições em grego em uma pedra que servia de base para a imagem do deus Aion com as seguintes inscrições:
“Aion o que era, o que é, o que será; Aion o krátor”
(κράτωρ / o podoreso).
Aion era tido como um deus estático, que não muda, que não se move, que não sai do lugar, o imutável.
E é dentro desse contexto histórico e cultural de grande sincretismo entre o mundo greco-romano e judaico que João recebe do anjo de Deus a revelação que viria a corrigir o erro daquela apostasia e paganismo, no verso 8 do capítulo 1º do apocalipse é dito as seguintes palavras:
“.... diz o Senhor, que é, e que era, e que ESTÁ VINDO, o TODO-PODEROSO (PANTOKRÁTOR)”.
O Deus de João apesar de imutável, se apresenta também como um Deus que está em constante trabalho, se movendo e intervindo na história.
Interessante ainda que enquanto o ídolo grego era conhecido como krator, o poderoso, Deus se manifesta a João como sendo o PantoKrator, o todo-poderoso.
Pois na verdade Deus tem todo o poder que Ele mesmo desde a fundação do mundo estabeleceu todos os AIONOS, séculos dos séculos, os tempos, as estações e as era, Ele mesmo é o próprio e único verdadeiro Aion PantoKrator. Enquanto o falso deus precisa de uma pedra morta e estática para se firmar, nós, que somos pedras vivas, nos firmamos no PantoKrator nesse eterno Aion que ele estabeleceu desde 70dC.
C S Lima.

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